Princípios de Renascença / Dedicação a Nuno Júdice

Sou como a decadência

A melodia terrena que se elevou aos céus

Após anos de tortura enfeitando festejos fúnebres

E ouvidos tristes que se apegaram a ela

A impedindo de voar novamente

Sou como a pestilência

Que enfim conseguiu cumprir a sua função

De pôr fim aos seletos seres que viveram

E que agora, com fruto de suas perdas

Podem se reerguer em novos ramos

Sou como a sobriedade da vida

Que após a primeira partida

Acho recanto

Entre os alentos magistrais e suas oligarquias divinais

Passados de meros mortais a anjos guardadores

De outros meros mortais

E como proclamou Nuno Júdice

Podíamos saber um pouco mais

da morte. Mas não seria isso que nos faria

ter vontade de morrer mais

depressa.

Podíamos saber um pouco mais

da vida. Talvez não precisássemos de viver

tanto, quando só o que é preciso é saber

que temos de viver.

E assim me torno ciclo da infinitude

Que se perpetua entre o amor e a indiferença

Que planta sementes de discórdia

E colhe frutos de reverências forçadas

Para renovar em votos celebres das bodas

E assim me torno ciclo de incompletude

Que se completa em sua própria nomenclatura

Em busca de se explicar ao indefinido

E se traduzir ao indistinto que não lembra

Que morrer também

É amar viver

Pois no final de nossa era

Amar e viver, viver e morrer

Tudo isso será também o maior dos atos

De em busca de seu próprio entrelaço

Aprender a renascer

Maicon Lopes
Enviado por Maicon Lopes em 16/10/2022
Reeditado em 23/03/2024
Código do texto: T7628797
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