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O regue-raiz me fascina:

Ele injeta o soro da consciência

Na flagelada e severina vida-correria.

O regue-raiz anseia

Que a negritude tenha

Audição, compreensão,

Coragem, amor, identidade,

Sede, centelha, seiva, sageza

E sangue quente correndo

Pelas sodomizadas veias

Para lutar contra a sina

De sermos mastros

Sem direito á soberana bandeira

Da abolição verdadeira.

O regue-raiz canta

A dor, a saudade, a teima

De sonharmos com a liberdade contemporânea

Afagando as nossas bochechas,

Têmpera, tez, corpo, a vontade em chamas!

O regue-raiz, afinal,

Quer que nos tornemos

Submarinos, navios,

Veleiros e barcos á vela

Quais transformem o mar

Ressequido do nosso destino

Num dos mais caudalosos

Indômitos oceanos da Terra.

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

JESSÉ BARBOSA
Enviado por JESSÉ BARBOSA em 20/11/2009
Código do texto: T1933935
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