Desacordos

Uma garganta rouca

A cabeça meio louca

E uma condição pouca...

Que mais pra calar minha boca?

Que mais para cobrarem de mim?

Que mais pra que seja assim?

E passam-se os dias, o ar sufocando

Num verão inclemente, subsaariano

Derretendo em suor cada um dos meus planos

E que me resta pra olhar nesse outro mundo?

Pessoas sozinhas, alheias no meio de tudo?

Almas corrediças, espíritos de grito mudo?

Que me resta pra fazer nesse calor febril?

Alinhavar profecias, com encanto juvenil?

Ou mandar certas pessoas para a ponte...

Aquela...

A que caiu.

Se a paciência me falta, não me culpo só

É culpa do bolo, do rolo, é culpa do nó.

Na boca do estômago e na garganta inflamada

Também é culpa dessa gente tão igual, coitada.

Acabo desejando a essa gente-cachorro,

Se comportando pior que os cachorros-gente

Se afoguem na limitação, e não chegue socorro.

Que tudo seja primavera pra quem pensa diferente.