É bem mais fácil...

Os dias se repetem com a mesma cadência...

Hora após hora de um congestionamento mental

onde vítima me sinto, presa num ciclo que nunca termina...

Isso mina minha resistência e provoca pensamentos que me dobram

deitando minhas dúvidas em camas de certezas só minhas...

É mais fácil pensar que o outro está em paz, numa boa,

em outra cama, com outra pessoa, e chorar rios em cima de travesseiros

que nunca mais serão lavados.

Ficarão ali como lembranças, de um tempo em que o amor existia em cada segundo...

Ficarão ali em cima da mesma saudade, tristes e manchados.

Então refugio-me em compras desnecessárias,

ou em pílulas que se afirmam mágicas,

ou ainda anestesio meu prazer pensando em cirurgias plásticas...

É mais fácil enrolar os meus medos em edredons no sofá de um domingo à tarde, do que vencer a certeza de que o telefone nunca irá tocar.

AURORA ZANLUCHI
Enviado por AURORA ZANLUCHI em 04/07/2011
Reeditado em 06/11/2011
Código do texto: T3074529
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