Riscos de vidro

aproveito-me do tempo enregelante

pra numerar os riscos da chuva

mapeando a vidraça

cada gota que escorre desenha

um pouco do que tenho

que aprendi das bocas alheias

algumas consanguineas

com os talhes da minha

soletrando direções

para onde deveria seguir

a dúvida também é chuva

afogando minha existência

questionando quem seria eu

se a estrada onde vago

tivesse sido aberta somente

com minha ideias

quem seria eu sem o interferir

dos espiões despistando

alma minha selvagem

da rota que deveria seguir

tamborila mais forte a chuva

na vidraça

desmanchando o mapa criado

para confundir

a chuva lá fora cumpre a própria sina

enrodilhada fico eu sem descobrir

a minha

MarySSantos
Enviado por MarySSantos em 27/04/2015
Código do texto: T5221847
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