Escrever...

Cada momento é uma dádiva.
Cada segundo,
um universo em si mesmo.
Concretamente,
só existem momentos.
Como esse,
em que eu escrevo e respiro,
em que tu lês e respira.

(Ah, esses jovens,
tão arrogantes e tão cheios de vida,
desperdiçando o seu tempo...
Tempo que não volta!
Se soubessem o que eu sei...
Viveriam!
Cada momento...
Cada segundo...)

Às vezes,
penso que escrever
é um não viver.
Um interpretar a vida
por outros
(ou por mim mesmo)
vivida.

Qual o sentido?

Eu escrevo para você,
que me lê
e me dá vida.
Mas essa
é uma vida
que não é a minha vida,
pois (para mim)
só existe
a vida
(por mim)
vivida.

A literatura
pode ensinar
para o leitor
a vida,
mas,
para o escritor
é lição perdida.
Segundos de ar desperdiçados...
Momentos
de uma vida
não vivida.

Puro vício!

Qual o sentido?

Literatura é vida!

Vivida?

Escrever é viver para o outro.

E isso,
muitas vezes,
faz sentido.


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Trova de Jorge Gil Gomes de Azeredo