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Ao Ricardo Reis.

É, meu bom e caro Reis.
Se tudo que cessa é morte,
morro e cesso a cada dia.
Não existe vida ou sorte,
Nem existe essa agonia.

Cada instante eu morro e vejo,
no desver para o presente,
olho, penso e vivo morte.
É mentira o que se sente.

Em meus pulmões há o passado de minha boca
e o encéfalo é um museu de poucas luzes.
O que importa? É o presente?
Pois se for eu não o vejo.
Nem você.
Nem ninguém.

Pois é, meu caro Reis.
O instante não existe,
é errado quem insiste
que é possível ser presente.
O que vês e o que sente
é somente sombra atriste
que infeliz ou felizmente
já não vive entre nós.
Melques Aleixo
Enviado por Melques Aleixo em 08/12/2007
Reeditado em 18/02/2009
Código do texto: T770327
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Melques Aleixo
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 33 anos
21 textos (1153 leituras)
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Melques Aleixo