Ganjah

Ando com medo da morte aparecer repentina.

Ando com medo do futuro que é desproporcional.

Ando com medo de saber... ou melhor, de entender, que realmente, nada sei.

Ando com medo do amor.

Ando com medo do dinheiro.

Ando com medo de mim.

Ando nesses tempos com tanto medo que me desconheço, incompleta e sugada pela introversão.

Ando com... medo? Ando? Estou andando mesmo?

Ou será que... estou parada com medo do ciclo natural?

Parada com o medo do depois incerto e natural?

Parada com medo do saber/entender que infinitamente estou aprendendo o natural?

Parada com medo da solidão?

Parada com medo da pobreza carnal?

Parada com medo de mim?

Então, medo do natural?

O medo é um pássaro voando sob o oceano, sem ver terra firme. Em um céu nublado e que a qualquer momento pode chover. O medo é um pássaro cansado, com sede e faminto.

O natural é a chuva que dará água que sacia a sede, o peixe na superfície do mar para dar alimento, uma ilha desconhecida em meio ao nada, que serve de repouso ao passarinho.

O pássaro com medo do que pode lhe ajudar.

Acho que me entendi de repente

Gabi Batoni
Enviado por Gabi Batoni em 28/09/2018
Reeditado em 05/11/2019
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