LUCIDEZ

Em dias de lucidez sorrio à toa

Ando sem destino

Canto pra silenciar a vida

Procuro rostos pelas ruas

Busco algo que me tire de mim

Que me faça não ver o que sou

Que me anestesie de minha presença

– Incurável e desconcertante

Em dias de lucidez sorrio à toa

Beijo pelo beijo e não por um futuro

Trabalho por trabalhar e não por um futuro

Rezo por rezar e não por um futuro

Bebo por beber e não por necessidade

Como por comer e não por necessidade

Pois em dias de lucidez vivo por viver

Retirado das distrações

e estabilizado em mim mesmo

Sorrio para ela

E ela não entende

Pensa que a vida é coisa séria

Quando, na verdade,

Não passa de uma brincadeira

Uma piada de mau gosto

Um piscar de olho

Do grande ciclope que é o Tempo

Em dias de lucidez

Respiro por hábito!

Fabio Ferreira S
Enviado por Fabio Ferreira S em 28/06/2020
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