[Vivo, m’encontro...] (Dueto)


Há dentro de mim uma saudade sem igual
No que nest’hora desço até o mais profundo de minh’alma
Sem amarras, fugi-me da dimensão do que antes me prendia

Vivo m’encontro
Talvez por isso qu’eu sofro
(Afinal, os que morreram não mais sofrem)

[Ou será que sofrem?
Morrer é garantia de paz
Interior?

Lendo engano
Penso que se assim fosse
Não existiram histórias de assombrações

Ou será
Que o imaginário fértil
É que a todos assombra sem razão?

Ou somos nossos próprios fantasmas
Criadores de infernos sem fim
Senhores de nossas dores

Dores
Lancinantes
Pujantes e até crônicas

Dores d’alma
Que martirizam a carne
Em repetitivas autoflagelações

Então...
o viver e o sofrer
seriam, quiçá, uma bênção?

[Vivo m’encontro...
Os versos revelam minha dor
Revestindo-se de uma tristeza tamanha

A poesia
Ameniza, mas não finda
Essa saudade que teima em ficar

Saudade! Saudade esta, quão intensa em mim eu sinto!
De minha cabeça a que agora pendida desta dor se acha
Nest’instante a que despedaçada s’encontra minha vida

Oh, sim! Viver é um grande martírio
E não tanto o morrer como muitos pensam
Ou será o morrer o martírio que me nego a pensar?

[Vivo m’encontro...
Mas morrendo todo dia
Sufoca-me asfixiante saudade

Mas, e quem disse que a piedosa mão da Vida está fechada?
Que loucura quem desta forma o pense!
Pois entre os nãos, existem os sins

Ah! Haveria maior cadeia a nos prender que não seja a IGNORÂNCIA?
Desta a que nos encharca a alma com mil perturbações e escuridão?
[Vivo m’encontro... dialogando com o talvez

Bebo a minha própria insensatez
Intoxico-me com pensamentos torpes
Não! Não! Não! Basta de autocomiseração

Não me lamentarei por toda essa dor
a que a saudade me imprime
Transcendê-la-ei

Vivo m’encontro...
A saudade não é o fim
Mas o começo do fim da dor

Até porque se existe saudade, decerto qu’existe amor
Já que saudade é também uma prova
no tempo do amor

Amor
que se faz valer...
em meu tempo, nesse tempo de amar

Amo
E por amar
Vivo, m’encontro!


Vivo, m’encontro...






Fausto de Deus e Juli Lima
[17/03/21]

















Oswaldo Montenegro - Quando a gente ama (Ouça)













Fausto de Deus 
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