CONVITE À ESPERANÇA

A esperança circula muda

- a cada segundo -

entre muros que cintilam

lanças de cacos de vidros.

Na vida rareiam afetos,

ter um teto e saciar a fome

é coisa doutro mundo.

A vida

é mais que uma rima,

é luta.

A esperança circula,

agoniza sob máscaras,

nas filas e nos leitos.

Ela se finda quando se sente,

a contragosto, a pólvora no peito.

A vida

é pedra rara a lapidar,

é coisa bruta.

A esperança circula,

é cor e luz solar

na força da negritude,

nas mãos que se entrelaçam

no gesto da atitude.

A vida

é esperança redimida,

se define na labuta.

A esperança circula

- é vida! -

mesmo muda,

pula os muros

com cacos de vidros,

desfila sangrando

pelos becos e ruas,

quase desnuda.

Rosalvo Abreu
Enviado por Rosalvo Abreu em 30/01/2023
Código do texto: T7707611
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