TESSITURAS DAS NOITES

Há camadas

disfarçadas

no tecido que veste

as madrugadas.

Espessura da noite,

essa matéria

que reveste os corações,

até mesmo

dos desabrigados,

por todos os lugares,

longínquos

ou tão íntimos.

Tessituras

de aventuras à galope,

rompendo os medos,

buscando as alegrias

oníricas do existir.

Ao anoitecer, Vênus

brilha não cintilante

no horizonte

e nos acompanhará

noite adentro.

A Estrela D’alva

aquece-nos

com suas vestes

do amor.

O sol estará mais

profundamente,

adiante, a reluzir vida

enquanto a escuridão

lentamente esmaece.

Surgem os primeiros

tilintares das vasilhas

sobre o fogão.

A porta range

quebrando o silêncio

do orvalho no jardim.

Dimensiona-se os ruídos

dos primeiros passos,

em casa e na calçada

que se alonga,

tangenciando as janelas

das casas e dos quartos

ainda fechadas.

A potência dos motores

deslizam nas ruas

e a medida que avançam,

buscando destinos,

suavizam seus ruídos.

Outros aceleram

e seguem.

Assim, a espessura

da noite vai lentamente

se desfazendo.

A vida

que tem tantas

madrugadas,

é esse continuo

acordar diário.

(Imagem: Noite estrelada, Van Gogh)

Rosalvo Abreu
Enviado por Rosalvo Abreu em 08/09/2023
Código do texto: T7880498
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