Inclinações ao Ócio

Nas profundezas deste mar de cores...

Esta o firmamento coberto de corais e sujeira.

Bem acima de nossas cabeças, um ar inflado de doenças na camada de ozônio.

Vou pertencendo com olhares ao que é de minha volta!

Inclinado ao ócio!

Mesmo quando baixar minhas pálpebras.

À nas palavras um cheiro de veneno!

Não há uma língua no tímpano para saborear canções, nem voz doce que me engasgue!

Chuva de folhas lá fora e ainda nem é outono!

Lacerantes falhas geológicas de minha pele, dos meus cabelos desalinhados,

O que procuras em mim se não amanheço assim brilhando como o sol?

Estou à deriva na tempestade!

Não há em mim parte venosa que não esteja agitada.

Guio-me em baixo de um guarda-sol, levo essa sombra por meu caminho literário.

Miro muito acima dos telhados de barro!

Meu espetáculo sim é este entardecer que me fere a alma e faz sangrar minhas feridas.

Horizonte em vermelho fogo do sol, que vai se pondo atrás das linhas.

Pardos horizontes chamejantes e nuvens informes atrás das pradarias!

Tudo é tão lindo quando preparas a chuva!

HORA DO ANGELUS!

Miro paredes!...

E a pausa das fotografias!

Saudade fria no retrato dos mortos.

Pausa acumulada! Que fica assim parada com sua memória!

Não tenho perguntado pelas horas!

Nem tenho marcado quanto tempo é preciso para vivê-las!

O mundo lá fora se avoluma, vai aos poucos ficando azul!

Cresce comigo como um pão fermentado e colorido com desamor.

Miro um homem entre a ventania sozinho...

Desabitado!

Já não sei o que sinto agora!

Miro uma boca de batom num espelho beijando-se a se mesma.

Vou seguir! Pois o tempo voa lá fora de qualquer maneira!

Sou cego de candeias, flores noturnas... Vago em meu imaginário!

Luzes artificiais do lustre na sala... Taças tão finas na cristaleira.

Chamas violáceas refletidas em meus olhos de lampejos!

A música vadia do Silêncio que cochicha latejos.

Veludo azul da noite num casaco de estrelas...

Meus olhos já não choram Dezembro!

Glaciais corações do infortúnio, congelantes mãos de carinho.

A grande mariposa negra da noite se estampou no céu,

Empoeirada de purpurina colorida pulsante.

Psicodélica!

Às cegas me busco! Não estou no maço de cigarros!

Convencido de que durmo, como um poema dentro da tinta da caneta.

Ufano!

Golpeado sobre a cama, asfixiado de palavras e pecados...

Levanto-me ate a escrivaninha com um gatilho nos dedos, pronto para libertar as palavras.

Que se evadiram para dentro de mim! Fazendo-me refém destas frases.