Breve brisa
faz-me acreditar no vento
Eu sinto o vento.
Sinto a sua carícia.
Ouço seu assobio.

E o silêncio dá a trega
na tempestade.
Molha-se o chão...
pedras escorregadias 
fazem dos passos, 
prováveis tombos

O chão liso e molhado
é armadilha
e desconfiada passo 
lentamente.

Breve brisa
faz-me acreditar no tempo
Sinto a primavera incipiente
Flores mínimas
perfumes sutis
e a relva dançarina 
com cheiro de anis

A embriagar-me
da poesia óbvia
do contrassenso

Nada faz sentido.
O sentido faz nada
A brisa sussura segredos
Jamais ditos
 que viram doenças.
Febres transformam corpos
em fogueiras...
Ardendo nas inquisições
da consciência.

Não confesso minha culpa
Não vejo a culpa alheia.
Não tropeço na culpa.
Nos tapetes vermelhos
da vergonha.

Sinto o chão crescer
E a vontade de desistir.
De descer o umbral
descansar o corpo
e partir só vestida de alma.

Para como um monge
sentir o vento,
sentir o improvável,
sentir nos instintos
o animal dominado
que nos transformamos
em adestrado
Para finitude burlesca 
do entardecer.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 07/10/2016
Código do texto: T5784824
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