Os corpos que pendem
As dores que passam
As almas que se entendem

As palavras que reverberam
As canções que nos embalam
Os sonhos que se realizam
Ou se pulverizam.

Tudo é mágico
Tudo num só instante
Tudo é cristalino e opaco
Paradoxal e complacente
Posição, oposição e situação.


Todos cabem num átomo.
Numa célula.
Num órgão.
Num poema.

O equilíbrio misterioso.
A barreira invisível.
O credo inatingível.
Afetos liquefeitos.
Banhados em lágrimas.
Batizados em suores.
E, congelados na memória.

Tudo é uma jaça.
A mancha que dá a forma.
A imperfeição que forma o caminho.
Os passos que fazem o destino.

Na visão oblíqua.
A reta lógica.
No colo côncavo
O afeto convexo.
Reflexo.
Espelho.

Aparências e essências
brigam na arena da vida.
E a outra face
é apenas a morte.
Todos estamos 
a pender para a morte.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 22/11/2018
Código do texto: T6509518
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