OUTONO

Estava intacta.

Roubava esse império de passos largos,

folhas amargas.

Há estrelas que amam a visibilidade dos olhos nus...

Meus olhos... sempre mareados,

Melancolizavam o céu e o silêncio

que ainda abafa minha fala.

Nunca fui a luz daquele que tanto amava,

dessas verdades em colóquio:

sempre sou a morte

destilada em significante, significados...

Sou o mormaço que anuncia o vagaroso dia:

das almas benditas, amadas,

fui predestinada a ser - dessas oceânicas,

almas vagantes, solitárias -

minguar um Deus presente,

desflorido em surdinas Carmelitas;

Lá... deixei, n' outra vida,

esse coração minguante,

cheio de feridas.

Perdoa-me a incapacidade

de não ter sido aquela coroa de rosas,

todavia, aprendi com os espinhos:

"O céu não foi feito para mim",

dessa alma ungida pela dor

brotaram oceanos,

e por amor à rosa,

sou essas esquecidas pétalas:

esperando um momento de fuga

para cair em Outono.

Dylla Vicente
Enviado por Dylla Vicente em 13/11/2019
Reeditado em 12/01/2020
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