Anéis, dedos e esperas...

Vão-se os anéis, ficam os dedos;

Quem espera, sempre alcança...

Então, suponho que,

Se perdi o que possuía

Mesmo pobre

E insano,

Cultivando a esperança,

De alcançar o que não tinha

Esperando, crendo...

Alcançarei, por força

Inda que um dia!

Ah, mas é preciso bem mais

Que filosofia, fé,

Ou meu simples prometer

Para romper os grilhões

Deste destino impassível,

Desta sorte inamovível

Chegando, destarte, ao que se queria.

E onde, pergunto-me

É o chegar?

Talvez um recuperar

De alegrias e esperanças

Quase esquecidas...

Um brilho da criança,

Brinquedos luminosos

Perdidos na estrada...

Não, tarde demais.

O ideal aos meus pés jazia...

Estão todos mortos,

Pelas noites

Longas e frias

De espera demasiada

Nessa vida fora

Dos trilhos...

Vão-se os anéis

Ficam os dedos...

Ficam?

Poucos preciso

Já que nada, ao fim,

Se alcança

Para tomar a arma

E puxar o gatilho...

E, terminada a espera

Alcançar

Mesmo sem esperança

A eternidade

Das eras...

Sergio Vinicius Ricciardi
Enviado por Sergio Vinicius Ricciardi em 25/12/2020
Código do texto: T7143884
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