DE REPENTE...

De repente,

Posso até me sentir mal,

Pois, de resto, sou igual

A todo mundo,

E de repente, sem querer,

Posso até me entristecer,

Por estar muito doente;

Pôr-me, assim, num canto,

Perder todo o encanto

Pela vida.

Na realidade, a vida é um fragmento

Posto entre a terra e o firmamento.

A morte é um instante, na realidade,

Entre o sofrimento e a saudade.

Posso até sentir nova emoção,

Tirar os pés do chão

E a mente do passado,

Sem futuro e sem legado.

Fora do que pode a medicina,

Talvez seja essa a minha sina,

Minha sorte no porvir.

Mas quero ficar bem

E sentir-me como alguém

Que volta à vida.

Na realidade, a vida vem e passa,

Tal e qual uma nuvem de fumaça.

A morte acontece e deixa luto,

Com seu poder infinito e absoluto.

De repente,

Passo a ser uma quimera

Sem verão nem primavera,

Sem outono nem inverno;

Virar tão-só fotografia,

Pra lembrarem que um dia

Existi, sem ser eterno;

Que amou, que se mexeu,

Que sorriu, que pretendeu

Viver a vida.

Na realidade, a vida é a ocorrência

De um plano sem consistência.

A morte - herança líquida e certa,

Que da vida e do mundo nos liberta.

Posso manter minha existência,

E com e por sua influência

Reconquistar a alegria,

Sorrir como antes eu sorria,

Sentir todos os prazeres,

Dizer em versos meus dizeres;

Mergulhar no mar,

Aquecer-me ao sol,

Contemplar o arrebol,

A luz da Natureza;

Sentir toda essa beleza,

A vida respirar.

Na realidade, a vida é como o vento

Que sopra e passa, num momento.

A morte – sórdida – a vida arrebata,

Sem dizer de que modo e em que data.

De repente,

Por acaso ou por querer,

me pôr mais junto de você,

Ficar pasmo, deslumbrado,

Ainda mais apaixonado...

Fazer o que sempre quis:

Abraçá-la forte e com ternura,

Em dia claro ou noite escura,

Beijá-la, beijá-la... E de novo ser feliz,

De repente...

saulo de liss
Enviado por saulo de liss em 04/05/2020
Código do texto: T6936704
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