SAL

Renascer a cada dia

No sal das cinzas do vegetal que morreu

No sal do suor dos homens na luta diária

No sal das ondas que marcam as rochas na praia

No sal contido na língua áspera dos críticos injustos em seus pedestais de louça

No sal da terra em cio, desejando água

No sal que queima e reabre chagas doridas e quentes

No sal da baba dos cães danados com raiva e quase cegos

No sal do intestino prutefacto dos abutres eternamente pousados a sombra do riso

No sal da vida jogada fora na sarjeta, num beco qualquer nas frias noites de chuva

No sal da viúva lágrima que jorra no peito jovem

o ferro imponente corroí-se e desgasta com o sal

a vida esvai-se por mãos assassinas e pneus irresponsáveis

a infancia chora o brinquedo roubado e jogado no lixo

choramos o tempo perdido em busca do além

em certas circunstâncias o homem é mera estátua de sal

ou continua

JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES
Enviado por JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES em 22/05/2006
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