Cotidiano

A violência cresce, procria tão quanto à luz da alvorada inóspita do consciente que desperta.

Tão incomensurável e tão presente como o raio da brisa, como o orvalho das calhas.

Dantescamente a alma engana o gosto tão ilusório da morte

Na morada dos deuses do Olimpo, no cálice embriagado pelo escuro risonho, o pântano vivencia a água ardente... Cali ente que entre os dentes,

Esvazia-se de completo repleto, refletido do côncavo espelho de lamina convexa da utopia insana e retrógada, tão imatura ilusão onde age o cérebro.

Voa a mente, distancia-se a cada compasso; o pífano toca, Dionísio penteia os cabelos as margens da razão, narcisista e convulsiva a extremos e paradoxos leigos da compreensão e presenciados pelo rastro da sombra cataclismática das horas...

... O que de velho se faz novo, o que de louco transmuta-se pela retina, o que de tão belo se esconde, no que a razão inspira os devaneios, donde, os limites narcísicos são voluptuosas coerências?

Deitado no riacho de concreto vão suas águas de encontro ao precipício do diagrama, regenciado e doentio pelo luto de múltiplos horrores.

Levanto das plumas da Venus do holocausto floral.

O ritmo aumenta, o pesadelo aumenta. De encontro aos meus pés. Defronte a palpitação, vejo um abismo ridículo e profundo, rarefeito e diluído, no fundo se vê a imagem, uma lua de fogo, um corcel fogoso a ferver da abertura, rotulada tão simplesmente de vida

A vida se impregna em nossos poros, do mais ausente tom púrpura.

Radicalmente, rosnam os olhos e as pálpebras na dança do encontro dos sentidos.

O mundo, quando criado, se destrói e o alicerce se expande ao delírio antagônico da odisseia, epopeia dos rejeitados humanos, restos e trastes da criação, pelo herói e pela espada é que se aplica nas veias o gosto corrosivo do mel das ideologias; são esses os criados, são eles os filhos, não são os que reconhecem...

Dionísio nem Zeus, não houve motivo, só destruição no lirismo do arrependimento, são os filhos de Deus.

Hoje somos pó, ontem fomos lembranças, mas amanha não recordaremos, nem tão pouco seremos praia, não há cais, nem velas, amanhã tão tétrico e palpável quanto o que acontece

O amanhã é memória...

Esse texto foi recuperado em arquivo datilografado para o primeiro livro que participei aos 15 anos... (coisas de escola, outras épocas)

Como minha escrita mudou!

OTAVIO JM
Enviado por OTAVIO JM em 23/06/2012
Reeditado em 23/06/2012
Código do texto: T3740952
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2012. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.