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CERTO LUGAR

Não gosto do lugar onde tem gente que mente,
Sem necessidade, pra exaltar ou defender parente
E dos outros, até brincando, entredentes tudo inventa.
Factoides sobre o liso com quem não se aparenta.

E não adianta querer botar moral no filho alheio
A mesma pessoa que posa de moralista,
Se quando "filho" fala merda, sem receio,
Só falta ser ovacionado que nem artista.

Não sinto inveja de quem diz que "ama a família",
Mas um troço que eu acho muito escroto
É fazer elogio emendado com insulto feito cavilha
Fazer gabo aos "seus" em detrimento de outro.

Não adianta tanto estudo e dar uma de bacana
Se não sabe respeitar a todos sem distinção,
Não sabe presar a todos e adula quem tem grana,
Se as palavras são vazias e não saem do coração.

Não adianta encher a boca de "Jesus" ou "Nossa Senhora",
Dizer que conhece toda gente e o oco do mundo,
Se o "irrelevante social" só serve pra cara “fazer hora”
Se o sentimento no peito é o desprezo vagabundo.

Não sei se isso é despreparo ou certa demência
Essa história de superestimar o ato abusivo e insolente,
Dizendo que a postura idiota é sinal de inteligência.
Pra mim isso é sinal que o indivíduo é incompetente.

Na minha vida, não nego, até em cabaré eu já andei,
Mas, das meninas de lá, eu nunca ouvi o linguajar
Injurioso, rude, chulo, provocativo, feito pra humilhar
Que em tal lugar, calado e me segurando, já escutei.

Pra mim é coisa de gente falsa ou anormal,
De pretenso moralista sem noção, até de cabeça fria,
Achar que respeito não pra todos e é unilateral,
E ao tempo que dá rompante moral "fala putaria”.

Na vida a gente tem que primeiro se amar
Pra depois, tendo por si, amar o outro
E com isso saberemos qual é nosso lugar
Que certamente não o que do bom é o oposto.

Não adianta ter a melhor garrafa de champagne
Ou qualquer rótulo da bebida mais fina
Se em tal lugar não exporia minha mãe,
Pois o linguajar é de beira de esquina.

Em tal lugar nunca vi mulher mostrando “os peito”
E também nunca vi ninguém se pegando num "mói de peia",
Mas não é apenas isso que é falta de respeito,
Pois também não é bonito insinuar da intimidade alheia.

E com sofismas quer fazer o outro de abestado,
Se revelando, ao achar que tá cutucando alheias feridas.
E ainda acha, por seus valores tortos e pífios, ser invejado
O mesmo bunda mole de "dois pesos e várias medidas".

Comigo não cola "ser respeitado sem respeitar".
Pense num negócio torto além de escroto!
É a típica postura do supremacista militar,
Que “quer Deus para si e o cão pros outros”.

Se eu tivesse que dizer tudo não pararia de falar,
Mas deixo que o meu recado que o certo é o certo
E falo sem despeito que o errado é errado,
Mas se não existe respeito esse não é o seu lugar.

Agora peço calma, seja filho ou seja filha,
Peço que não tome estes versos pra si,
Pois estou falando é dos engravatados de Brasília.
No entanto, se ao chique serviu a carapuça,
Esteja à vontade, faz de conta que é de camurça.
CARLOS HENRIQUE MUSASHI
Enviado por CARLOS HENRIQUE MUSASHI em 29/10/2020
Reeditado em 08/07/2021
Código do texto: T7099149
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
CARLOS HENRIQUE MUSASHI
Aracati - Ceará - Brasil
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CARLOS HENRIQUE MUSASHI