A Dualidade da Loucura

Teu corpo…minha pátria…nossa dualidade!

Não te curvas ao jugo da abstinência vil,

que compra fantasias a preços desumanos,

sem tempo sequer para amar de corpo e alma.

És a essência da simplicidade e a devastadora

erotização da carne da mulher verdadeiramente

feminizada entre os ecos dos gritos das pedras.

A credulidade ingênua da marca do terço de marfim

na pureza de tuas mãos, as mesmas onde sou alimento

na tua boca farta de pão… faminta da loucura da carne.

És a graça da corte e na palavra do Sr. Bispo!

És a arte abstrata atrás da prata da mascara Veneziana,

onde se espelham os mamilos duros entre o espartilho

e a explosão de odores a terra molhada e café da senzala.

Apenas os espelhos podem revela de quem são os orgasmos!

Olha! Olha para o relógio da torre! Foge! Foge!

És um verso perfeito da sociedade na fricção dos violinos

gemendo no salão de baile de caridade…que me alimenta!

És a proibida e misteriosa loucura… teu nome queima

na minha boca…luz que levaria à forca se o prenunciar!

Uma linha sem traço... o grito dos meus orgasmos!

Mas sem corpo, fico sem pátria até o sol voltar a falecer…

Tudo repousa em paz menos a tua dualidade.

Vai voltar nas asas de um anjo infestada de crimes de gula!

Amar será penitência se assassinarmos a magia da Paixão!

Febo
Enviado por Febo em 19/02/2018
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