Saudade sem explicação...

"Que vázio estranho hoje senti, e juro que não entendi, algo estranho e sem sentido, mas que me deixava a pensar, mas o que será se não compreendo nem mesmo o que é, se ao menos eu tentasse definir, saberia explicar, porque senti uma saudade...

Na realidade foi uma saudade daquilo que não conseguia fazer.

Saudade de alguém que não conheci.

Saudade de uma cena que passou muito rápido e eu não soube admirar o filme que se passava.

Saudade do mar e das ondas.

Saudade do vento que me tocava na pele, trazendo um perfume desconhecido.

Nunca senti tanta saudade de algo que deixei de fazer ou ainda não fiz.

Um vázio foi enchendo o meu peito por um momento, e me deu saudade de sentir amor, saudade de amar de verdade.

Que saudade que me bateu no peito!

E até agora eu não descobri da onde ela está vindo, para onde vai essa saudade. Como posso ter saudade sem entender?

Que saudade de ter um colo para deitar.

Que saudade de ter alguém para me chamar.

Que saudade de ficar quietinha no meu cantinho, segura sem ninguém para falar nada.

Que saudade de união, de compaixão, de caridade, de amizade, de poesia, de um coração bom.

Que saudade da minha mãe que está no céu e virou um anjo, do meu pai que quase nem tenho tempo de vê-lo.

Que saudade de um ombro para encostar e só sair quando eu quiser.

Que saudade de um romance belo, mágico e eterno.

Que saudade de um homem respeitoso, aqueles que abrem a porta do carro, que mandam flores, que sabem dividir a vida para somar.

Que saudade da minha infância, e do meu cachorro.

Que saudade de cheirar uma flor.

Que saudade do pé de moleque de minha avó.

Que saudade das histórias de meu avô.

Que saudade de andar sem destino.

Que saudade de gentileza, de sutileza, de delicadeza.

Que saudade das coisas simples.

Que saudade de uma viagem.

Que saudade de ficar olhando as pessoas indo de um lado para o outro.

Que saudade de viver sem máscaras só para agradar as pessoas.

Que saudade de um beijo meloso, dramático, poético, cheio de paixão.

Que saudade de rezar e pedir para todos amarem sem distinção.

Que saudade de Deus perto de mim. Como eu queria que Ele por um momento se materializasse para apenas sentir o seu abraço.

Que saudade de uma aventura.

Que saudade de andar de bicicleta.

Que saudade de deitar na grama.

Que saudade de caminhar no mar.

Que saudade de olhar-se no espelho.

Que saudade de ouvir uma boa música.

Que saudade de calar-se, de ouvir o silêncio.

Que saudade de olhar para dentro de mim e descobrir o meu eu.

Que saudade de tocar violão, compôr canções.

Que saudade de uma família reunida, avó, avô, tios, tias, primos.

Que saudade de meu sobrinho que vejo quase todos os dias, mas que chega doer só de ficar longe dele por um único segundo.

Que saudade de dar uma boa gargalhada.

Que saudade de gente honesta, gente que luta pelos seus sonhos, gente que se esforça. Que saudade!

Que saudade de correr.

Que saudade de ver desenho.

Que saudade de um novo amigo.

Que saudade de um velho amigo.

Que saudade de um olhar carinhoso.

Que saudade de um sorriso cheio de alegria.

Que saudade do pôr-do-sol.

Que saudade de educação.

Que saudade da cultura e dos artistas amando o que fazem.

Que saudade dos palhaços que trazem esperança.

Que saudade de olhar por cima da montanha e me sentir pequena diante de tanta grandeza.

Que saudade do canto do sabiá.

Que saudade da minha irmã, de rir, de brincar com ela, de ter mais tempo para ouvi-la.

Que saudade de eu mesma.

Que saudade de humildade, de ver pessoas se perdoando, se amando de verdade.

Que saudade dos meus amigos, que são muitas vezes são meu chão quando tropeço, ou quando quero desistir de tudo.

Que saudade de um mundo melhor.

Que saudade de pessoas melhores.

Que saudade de ver a vida.

Que saudade de sentir o coração batendo.

Que saudade de um cobertor quentinho.

Que saudade de chorar.

Que saudade de ter emoções fortes.

Que saudade de ver a noite caindo.

Que saudade de proteção.

Que saudade do meu ego infantil.

Que saudade do meu medo.

Que saudade da primavera e de sua calmaria.

Que saudade de ver as folhas balançando nas árvores.

Que saudade da ventania quebrando no ar.

Que saudade da chuva e do trovão conversando.

Que saudade de um banho de banheira.

Que saudade de dirigir em direção a lua.

Que saudade de voar com asas sem poder explicar nada.

Que saudade de criar um castelo de areia.

Que saudade de um vázio sem explicação.

Que saudade de preencher a minha vida com SAUDADE!"

DESEJO A TODOS VOCÊS MUITA SAUDADE!

Roberta Mendes de Araújo
Enviado por Roberta Mendes de Araújo em 25/07/2008
Reeditado em 25/07/2008
Código do texto: T1097661
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