Amor infante

Dia cinzento.

Hoje chove

e as gotas desfiguram minha face

como a água do mar sobre os castelos de areia.

Hoje é dia de andar cabisbaixo

e esquecer que o sol se esqueceu de brilhar.

Somente ofusca meus olhos

o irradiante sorriso que brota em teu rosto.

É um sorriso tátil e repentino.

É a estrada que quero percorrer.

Doces e amanteigados lábios;

carnes de meu tão profundo desejo.

Olhos. Olho teus olhos.

Vejo tua alma,

teu coração tão puro e pulsante.

Espelhos,

vejo-me neles;

tão soturno e demasiado amante.

Ouço tua música

e sinto teu gosto, teu cheiro.

Sonho tua pele

que é tão inóspito terreno que almejo descobrir.

Ó, dia interminável,

por que não a tive?

Quero-a,

ao menos hoje,

neste dia cinza.

Preciso da sua luz,

dos seus raios de sol

a pintar em minha face um arco-íris.

Findando o dia cinzento,

tocando em meu peito a sinfonia do amor infante.

Raul Furiatti Moreira
Enviado por Raul Furiatti Moreira em 16/08/2008
Reeditado em 26/11/2008
Código do texto: T1131241
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