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MIOPIA

Queres saber?
De olhos fechados vejo melhor...
Queres saber?
No silêncio ouço além dos limites do meu ouvido...

Eu pensava ser alguma cousa,
Ser importante,
Imprescindível,
Urgente...

Me contas das ervas daninhas do teu jardim;
Que coisa, eu nem sabia delas,
E que diferença fazia?

Eu já tive um Jardim que eu pensava que era meu,
Também uma casa, um rio, diversos cachorros,
Um par de botinas, um Jeep e até um corpo
Que eu pensava que era meu e até
Que era eu...

Um dia parti espantosamente eu,
Sem nem se quer o cheiro do perfume que eu tanto gostava
E tudo o que eu amava era só Terreno e me vi espantosamente eu
Livre de mim e ainda preso às minhas ilusões de ser ou ter
E descobri-me dispensável, absolutamente dispensável:
As coisas Terrenas vivem sem nós e eu vivo perfeitamente
Sem as minhas ilusões de Anjo míope:
Queres saber?
Agora vejo melhor e até amo melhor a Terra,
Dadivosa escola dos elos da matéria densa,
Dos pensamentos toscos, equivocados,
Prisões rudes, de catenas terrenas,
Para o pensamento angelical que nasceu para voar.
Chico Steffanello
Enviado por Chico Steffanello em 04/10/2008
Código do texto: T1210667

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Sobre o autor
Chico Steffanello
Sinop - Mato Grosso - Brasil, 61 anos
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Chico Steffanello