LEMBRANÇAS QUE NÃO MORREM

Sabes,

A sensação que me dá

É de que eu nunca estarei sem ti.

Nunca deixarei de lembrar-te.

Mesmo feliz, mesmo triste, mesmo só,

Ou ainda a dois, a três,

Aos montes...

Tuas digitais me marcaram a carne

Quando me tocastes a fronte,

Acariciastes-me os cabelos,

Quando me tomastes de assalto;

E me domaram.

Minhas lembranças de nós

Recorrem-me em cascatas,

Fluentes, caudalosas,

Vivíssimas,

Ingratas!

Aprisionado insisto permanecer,

Sem voz de prisão,

Inconscientemente,

Independente de mim,

Por automação,

Ao teu alçapão,

No teu calabouço,

Em cárcere distante, ausente, displicente:

Sob o arcabouço do que não há mais.

FÁBIO BARBOSA
Enviado por FÁBIO BARBOSA em 16/12/2008
Reeditado em 16/12/2008
Código do texto: T1337902
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