Minhas palavras alheias

Eu não criei as palavras

Apenas fiz uso delas

Ás vezes, elas também me usam.

A palavra mágoa, que machuca, tento esquecê-la.

A palavra esperança, corro, corro... Será que um dia a alcanço?

Lágrima, palavra que lava minh’alma.

Poesia, quem a inventou também descobriu a palavra dor.

Palavras gostosas: Abraço, amizade, alegria, saudade, mel, lua

natureza, dia...

Palavras respeitosas: Mãe, Deus, família, universo, filhos...

E as palavras tortas? Inveja, rancor, doenças, dissabor.

Doces, salgadas, gostosas, lambuzadas, tristes, acorrentadas

Todas são alheias, as pegamos , pronunciamos, vivemos

Sentimos, comemos, re-criamos, entendemos.

Às vezes as devolvemos, discordamos, rejeitamos, trancafiamos.

E o verbo se faz, in( dependente) de nós

Porque são palavras sem dono, palavras do mundo.

Nem minhas, nem tuas. Correm mundo, alvissareiras ou devastadoras.

Linguagem verbal , subliminar, incógnita, preenchendo pausas do pensamento

Alguns eu gosto, outras odeio, muitas eu amo.

Das minhas palavras alheias, escolho VIDA

Porque nela todas as outras estão contidas.

FATIMA MOTA
Enviado por FATIMA MOTA em 28/01/2009
Reeditado em 02/08/2011
Código do texto: T1410040
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