Cratera

Um culto a Satã!

Nada se tem

e tudo se dá

no universo

da soneira,

que de mãos

e olhares se afasta.

Porque o mundo

em contato,

paralelo e sonoro,

com seus lagos se espelha.

Frases complexas,

noções de gramática.

Orações sem período.

Corações sem sujeito.

Farta-te de meu sangue,

ó Ramanai.

Pois meu sonhos só se fazem

do contrário que te vejo.

Ao contrário; do que digo

é coisa feia e sem porquê.

Que se faz? -

me pergunto agora.

De quem é

o sabor da aurora?

O café de Marrakech?

O queijo de Minas Gerais?

Os versos,

pontos de interrogação.

As estrofes,

comunhão.

De bem e mal

que não é

errado ou correto.

A vida em questão;

meu amor e paixão são,

em um só coração,

glicerina e explosão.

Deus, agora, me rouba

o momento tão mágico.

Invejoso e indiferente,

me arremessa na realidade.

Pois de só eternidade

não lhe basta em viver.

E, por isso, me quer

ver, na sanidade, enlouquecer.

Nem Deus,

nem o Diabo

sabem nada

de tudo.

Por isso,

não pense

ser o poeta

astuto ao ponto

de cantar mágoas

inventadas no ontem.

Raul Furiatti Moreira
Enviado por Raul Furiatti Moreira em 04/02/2009
Código do texto: T1421820
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