Quarentena

Em tua

lua nua

canta e brilha

o sol

de meu farol.

Nas areias,

às margens;

no compasso da maré,

caem estrelas

e lágrimas divinas.

Cai no tombo

com cadarço ingrato.

Caem escombros, palavras

e cometas,

do céu de nuvens loucas.

Choram noivas,

prostitutas e beatas.

Choram crianças,

enquanto se comete

assaltos e estupros.

Ó, por que

do vivaz inferno

vem a sede de questões?

Estão lá.

E não se queimam por se apagarem.

Por que, do céu,

a verdade me cai?

Em meu colo,

como uma virgem

a implorar mentiras.

Em teu olho

o velho tão caolho

sente e grita

sobre a vida

de nós todos.

Em minh’alma

já me morre

a volúpia animal.

De meus olhos sangram lágrimas

de amores e sal.

Raul Furiatti Moreira
Enviado por Raul Furiatti Moreira em 04/02/2009
Reeditado em 05/02/2009
Código do texto: T1421884
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