Ambiguidades

Ambigüidades

Da rosa, o perfume que não exala.

Da brasa, entre cinzas, a centelha.

No mais íntimo do silêncio, o que não cala,

No pior momento, ainda em tormento, não ajoelha.

Do tempo, as pétalas que foram subtraídas

Dos inocentes, as culpas que não foram perdoadas

Das lágrimas, as que foram pela face sorvidas

E para sempre no rosto ficarão estampadas.

Do exilado, do cativo, o que nunca será descoberto

Da vida, o não saber quantas horas restam,

Gastando-se a lâmina, ferindo a pedra,

Da certeza, o que nunca se tem de certo.

Do mais alto, o giro que sempre traz a queda,

Da fé, o que busca a essência incrédula

A fração ainda que minúscula, o pandemônio

O demônio habita Deus, Deus habita o demônio

Nada separa, se confunde, se lacra ou veda

De tudo, em tudo, dois lados, a mesma moeda.

Tonho França.

Tonho França
Enviado por Tonho França em 27/04/2006
Código do texto: T146506