Amor em síntese

Solto,

cego,

moribundo.

Dessa forma,

vivo

nesse mundo.

Meu coração

não reage.

Minha alma

já não brilha.

Meus anseios

são meus erros.

Meus acertos,

eventuais.

Falta-me algo

no meu universo

de possuir tudo

e tanto.

Tanto e tão

pouco do que quero,

em minh’alma,

não se permite,

por não saber

eu controlar

a força e estranheza

do que se sente

e é tão jovem.

Somos jovens demais

para amarmos pra sempre.

Somos belos demais

para ficarmos juntos.

Sou eu demais

para pensar nos outros.

Sou velho demais

para começar a rezar.

Cadê a vida? -

Quero a vida!

Alimento da poesia.

Sede de minha cadência.

Hoje sou

tão louco

insano.

Hoje vivo

morto em confetes.

No devaneio carnavalesco,

no samba dionisíaco,

me esvaio esguio,

sob olhares saltimbancos.

Eis, que, então,

nada sentido possui

no que digo ou

transcorro sobre o que

sentir sem ter cantado.

Algo há

que é complicado.

Nasce prematuro

e defeituoso.

Novamente a estrela guia.

Mais uma vez,

se corta o laço.

Minha caneta;

puta que pariu,

no campo da idéia,

a verdadeira

Poesia de amor.

Amor ideal,

de não contato.

E amor carnal,

de contato em tudo.-

Amor em síntese.

Mais um dia quero.

Mais um dia vivo.

Solto,

cego

e sublime;

Amo hoje novamente,

Para amanhã mudar

De opinião.

Raul Furiatti Moreira
Enviado por Raul Furiatti Moreira em 03/03/2009
Código do texto: T1467116
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