NEBLINAS

Sacode a neblina tenebrosa

que tolda o teu pensamento

varre a nuvem pardacenta

que encobre o céu do teu sorriso

tranca portas e janelas

veda as frinchas

não consintas que te habitem!

Busca as pedras

e encontra o gesto

que há-de gerar a faísca luminosa

que te devolverá a claridade

Não receies

não se queimarão na luz

tuas memórias

Desnuda-te de medos

e de raivas

e banha-te na chuva expurgadora

das tuas lágrimas

Dissiparás as névoas

e lavar-te-ás do pó da tua angústia

Não temas

não se afogarão na chuva

teus perenes sonhos

A tua mente

luminosa e lavada

será então

um prado de verdes orvalhados

e dele emergirá

nova e rubra vida

como papoila de entre cardos

(In "Geometrias Intemporais")

Carmo Vasconcelos
Enviado por Carmo Vasconcelos em 11/05/2005
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