O DEMO DA CARNE

Puros estavam dois anjos

de pedra, na sacristia

candidamente lembrando

os paraísos perdidos...

Uma doce melodia

composta de harpas e banjos

ouviam... embebedando

de espírito os seus sentidos

Mas em satânica dança

se aproxima o inimigo

concupiscente e atrevido

que há de virar todo o jogo...

E quebrando a calmaria

o demo da carne avança

montado nos torvelinhos

duma onda de perigo

Com os seus braços de fogo

semeia carvões em brasa

e rindo em feros rugidos

ateia um fogo que arrasa

E a partir desse dia

a capa dura e fria

dos inocentes anjinhos

não é de pedra jamais...

Porque de carne vestidos

viraram simples mortais

(In "Geometrias Intemporais")

Carmo Vasconcelos
Enviado por Carmo Vasconcelos em 18/05/2005
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