Fardo

A vida equilibra-se

Nas tranças do tempo

Procurando fugir

Das armadilhas

Abre caminho

Na imensidão dos espaços

Sem aldravas, mas,

Com dureza de pedra

Cada qual com seu destino

Cumpre sua rotina

Passa por onde quiser

Ou permanece parado

Esperando o que vier

Somos retirantes

Desde que nascemos

Carregamos nosso fardo

Cada vez mais pesado

Cada vez mais inútil

O poeta carrega apenas palavras

Empilhadas nas rimas

Dos versos que faz

Pela noite arma seu tablado

Na lona celestial

Forrada de estrelas

E cortinas de prata

Sonha, vai ao infinito

Sem sair do lugar

Não se prende a bens materiais

Em seu fardo, papéis e canetas

Olga Silveira
Enviado por Olga Silveira em 05/09/2009
Código do texto: T1794502