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CANÇÃO DO NOVO TEMPO

Então eu era como a sombra
De finados carnavais
Gesto mudo calcificado na retina
Não me reinvento:
Inútil paisagem nascida
De suas forças simples
Ao sabor das chuvas e dos ventos
Como uma homenagem de bronze
Em praça pública

Desloco no espaço em incertas diagonais
Sempre de encontro a corpos vazios
Mas os pés que cruzam a floresta de cimento
Não demarcam caminhos

Não há bússola ou astrolábio que me valham
Olho para os céus e pergunto:
Onde estarão Aldebarã, Órion e Cassiopéia?
Um cortinado de chumbo a vida cobriu

Então fecho os olhos e assumo
A natureza sinuosa de um rio calmo e profundo
Cujas águas com espírito de faca fendem a terra
E correm para as frentes do mar

Acordo, por fim
Estendido sobre a areia branca
Olhos ardentes sob a fulgência do sol
No ar ressoava uma canção, tipo de prece
Não me recorda mais a letra, tão somente
A melodia
Lembro que recendia à coisa nova
Espécie de anunciação

* * *

GOIÂNIA, 27 DE MARÇO DE 2006
Glauber Ramos
Enviado por Glauber Ramos em 13/09/2009
Código do texto: T1808847


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Sobre o autor
Glauber Ramos
Gurupi - Tocantins - Brasil, 38 anos
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