Terra Pálida

Terra pálida

Euna Britto de Oliveira

Essa cara pálida dessa terra pálida

traz-me cálidas recordações...

São vermelhas as terras que tive de cultivar,

da cor de mim quando eu coro,

da cor de ti quando choras...

Esta noite, não vem se deitar comigo

o moço bonito, de nariz bem feito,

dentes brilhantes e sorriso franco,

peito aberto ao mundo e olhos no infinito...

É noite do escaravelho...

Eu vi mas não pude impedir

as horas graves em que o moço virou velho...

A gravidade das horas é a gravidez de homens sérios...

Uma palmeira cabe na janela,

a outra mostra-se em parte,

como quem está de saída,

como quem se despede...

Certa leitura me ensina,

essa moldura insinua...

Mais tarde é a hora do lobo,

mais cedo é a folga da lua...

Tudo está muito claro,

a vida esta noite está nua...

Caraça, 28/10/00.

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Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Homens

Caraça - Minas Gerais - Brasil

Euna Britto de Oliveira
Enviado por Euna Britto de Oliveira em 11/07/2006
Código do texto: T191993