ARAUTO DA MADRUGADA

ARAUTO DA MADRUGADA

Ali ao lado num quinteiro

Um galo canta o seu pregão,

Não sei se prazenteiro

Ou se para espantar a solidão.

Ah! esse galo cantador

De voz enfunada,

Irreverente trovador

Arauto insone da madrugada,

Lembro outros lugares, muito além,

E outros galos chocarreiros,

Que cantavam histórias de ninguém

Lá do alto dos seus poleiros,

E outras vozes que também

Assomavam por campos e ladeiras;

Não cantavam essas vozes, porém,

Contavam suas canseiras.

E pelos caminhos afora

Gritavam carros de bois,

Acordando a doce aurora

Vermelhinha de arrebóis.

Foi-se a noite, foi-se a aurora,

Apagou-se o vivo alvor,

Vão-se os sonhos embora

Por que cantas ó sonhador?!

Eduardo de Almeida Farias
Enviado por Eduardo de Almeida Farias em 15/11/2009
Código do texto: T1925451