Invertendo posições

Quem dera fitar nos olhos do anzol

E indagar qual seria a sua reação

Ao ver o peixe fisgado debatido

Morrendo ele de fome pela boca?

Fixar bem no olhar do ferrador

Se sente dores ao demarcar o cavalo

E em vez de registro de nascimento

Ele fosse datado e marcado com brasas?

Pôr o peão cara a cara com o boi

E barganhar as posições e selas

O boi arredio em cima do peão

E o peão sendo furado pela espora?

O leão dizer ao seu vil domador

Se ele gostaria de tomar chicotadas

Correr imposto dentro do picadeiro

E o leão como rei, sofrer e ficar calado.

O prego com a cabeça doendo

Praguejar para o martelo viril:

‘Querias tu ser jogado na fornalha

E virar limalha de ferro em pó?’.

O sabiá cantar abdicando em notas

Conscientizar assim o seu martírio

Com aquele que um dia o prendeu

Só pra ver se preso ele cantaria.

Olhar para a fisionomia do rato

Encarando o gato cara a cara

E este não ter pra onde correr

E um cachorro acabasse a festa.

Diria ao caçador a indefesa perdiz

Se ele gostaria de tomar chumbo

Em pleno vôo evadindo do perigo

E se cair ferido ser abatido pelo cão.

Ou diria o touro para a alegre arena:

‘Olé! As flores jogadas são para mim

Por eu me safar de mais um toureiro

E ser de borracha a espada aguda!’

Será que o mundo sempre foi desordenado

Ou nós nos fizemos desordenados?...

Eu já não sei de mais nada!

Marcos Antony
Enviado por Marcos Antony em 08/12/2009
Reeditado em 09/12/2009
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