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NÓS SOLTOS

Temo a sensibilidade exagerada
que turva o olhar
com o prisma lacrimal
mas saboreio avidamente
o desabafo pela torrente agridoce
que lava o rosto
e leva consigo o desgosto
e a tristeza d´alma.

É grande o risco de caminhar
por entre nuvens.
Viver já é deliciosamente perigoso
para quem, estando em terra firme,
enxerga orquídeas e leões
no céu azul de cirros e cúmulos.
Em cima do muro é covardia.
Contudo, se declinas à direita,
teu semelhante te corrompe.
Se te entregas à esquerda,
Algum bicho te come.
E se preferes sete palmos abaixo,
galgas, então, ao nada
repleto de absurdos dantescos.
Subindo um degrau
é preciso cair
para conhecer a vitória
porque o doce não é tão doce
se não provares o amargo.

No escuro, quero a luz
O dia nasce ensolarado e,
ironicamente, anoiteço
sem perceber que
realizado tão plenamente
foi o meu desejo e,
escandalosamente, não agradeço.


Perdoai-me, sabe lá eu o que digo?
O que escrevo?
O que faço?
Trato de amar e em seguida odeio
o que era lindo, agora é feio
os elefantes podem ser cisnes
basta ver diferente o que Dali
em tinta pensou.

Tudo é perfeito, seja mais atento
e não coloque defeito
O céu de Monet tem sabor de baunilha
E o seu? Que gosto tem?
Um palmo diante do nariz é mediocridade
O infinito é ideal e insana (a)normalidade.

Lembrai-vos que caminho sem pedras
a lugar nenhum leva
porque não existe
é doce ilusão
Vais à janela
A vista de lá costuma desintegrar
portas trancadas e manter distante
os fantasmas da mente.

Manoela Franco
Enviado por Manoela Franco em 20/01/2005
Reeditado em 19/08/2012
Código do texto: T2005
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Manoela Franco
Feira de Santana - Bahia - Brasil, 37 anos
56 textos (3154 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/07/20 21:41)
Manoela Franco