Raízes Brasileiras


Sob minha pele desbotada
Há uma alma negra
Ébano real
Sorriso largo
Ginga no corpo
Samba no pé
Negra vovó cozinheira
Alma de lama negra
Proteína, melanina
Mucama, feiticeira e guerreira
Seios rígidos
Pele rija
Cultura e deidades
Guiam-me meus orixás
Caboclo da mata
Preto velho benzedeiro
Conhecedor dos dons das ervas
Pois meu sangue é de índio
Intima das matas
Mesclo com as cachoeiras
O corpo desbotado
E o ermo do passado
Revela as raízes brasileiras
Povo misturado
Originário negro
Primordial índio
Pobre do brasileiro
Que não conhece seus germes
Evidentes idiossincrasias
Deste solo abundante
Orgulho gritante
Negro e índio
Nascidos do mesmo solo
Brio mudo e estridente
De povos evoluídos
Confirma a antropologia
Negors e Indios

Viviam em plena harmonia
Com as forças da natureza
Selvagens eram os da pele branca
Mãe Africa
Matas Américas abundantes
Equilíbrio era vivo, pulsante
Sob suas divindades
Pobre do brasileiro
Unicamente orgulhoso da herança portuguesa
Baixa autoestima, pseudo espertos
Empáfia boçal
Maldito “homem cordial”
Reafirmo e repito
Minha alma é negra
Meu sangue é de índio
Brasileira!
E não me orgulho de qualquer bandeira
Me orgulho é da riqueza
Mesclada, abrangente
Das raízes brasileiras