EU

Sou aquele vaso delicado, mas forte

Que o turista requintado trouxe de Hong Kong,

Que tantas vezes caiu ao chão

E, em lances de sorte, nào se quebrou.

Não nasci num berço de ouro, nem de couro

Nem mesmo sei se nasci num berço . . .

Não sei se morrerei num dia de sol ou chuvoso.

No meu ceticismo, nem sei se um dia morrerei . . .

Enquanto não morro, não deposito meu cérebro numa agenda,

Em nome da sociedade, do Estado ou do que quer que seja.

Preocupo-me antes na descoberta de eficientes métodos

Para domar as muitas bestas do mundo . . .

Eu sustento a semelhança entre a mulher e a rosa:

A rosa nunca deixa de abrir-se em pétalas,

A mulher, mais do que nunca, abre as pernas;

A rosa poluída, a mulher prostituída . . .

Continuo à procura da minha estrela,

Porque, tendo eu seguramente a encontrado,

Não encontrou ainda ela a mim, que creio:

O valor reside mais na busca que no encontro!