Sobrevida

Euna Britto de Oliveira

www.euna.com.br

As cortinas finas do quarto começaram a se agitar

Como saias de damas da corte em noite de gala!...

Ao toque do vento e ao sabor do momento,

Dançaram tanto, que me cansei de olhá-las.

Experiências na pele...

A alma nunca repele o que fez o corpo vibrar!...

Luz da manhã sobre a cidade!

Natural, desfila pelo quarto,

De um lado para outro,

A mulher de belas formas

Que o homem observa na íntegra

E em suas perfeições.

Faz tempo que não leio Adélia Prado.

Seja rico ou seja pobre,

Ao final, todo mundo vira pó... – Igual Jó!

Minha língua coça,

Coço minha língua nos dentes!...

Nosso cão é labrador,

De companhia e de guarda, beige, bom e fiel.

Usa coleira Scalibur,

Toma comprimidos de Alopurinol

E continua latindo e vivendo,

Em sua sobrevida proibida.

Mais, não posso dizer.

Moramos na cidade,

Do cão, teríamos saudade...

Calafrio é quando o frio não cala,

E faz tremer sem escala.

Não conheço instrumento

Pra medir intensidade de temor, nem de tremor...

Muitas vezes, é a pulso que a vida pulsa!...

Euna Britto de Oliveira
Enviado por Euna Britto de Oliveira em 19/09/2010
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