EU POETA,
Que dissipo a porção opulenta de mim mesmo
Para arrancar da poesia a latente verdade;
Que me embeveço na contemplação, no misticismo do ceu;
Que tudo anseio pelas recônditas e encantadas origens;
Que tantas vezes mergulho no azedume do ser
E na inclemente maresia do tédio,
Achando a vida gasta, acabada, falaz
E mentido o lentejoulado enlevo
Tremo de comoção
Fico extasiado diante do esplendor poético, trazendo
À nossa decadente estrutura moral
Um pouco de alento, heroísmo e força
E de sagrada virtude de pensamento e
Envergadura espiritual para a luta
Neste manancial da vida e na soberba caudal
Em que brotam a poesia fecunda e a fé generosa.
Porque só a poesia,
Germinalmente só ela,
Sabe dar-me à alma e ao corpo esta nobre saúde,
Estas estóicas atitudes épicas;
Porque só ela me comunica os seus emotivos impressionismos,
Penetra-me o seu pensativo silêncio e recolhimento
Empiricamente transvasados no meu neblinoso luar dos sonhos.
Porque só é dela que me vem a crença robusta que me põe no peito
Como que afiadas lâminas de espadas bizarras
Para destruir a venenosa serpente da dúvida.
Só ela me veste dessa flamante irradiação da aurora
Da qual meu verso emerge vitorioso
No fluido dessa irradiação da apoteose da vida.
Porque nem príncipe, nem rei, não sou plebeu
Nem fanático nem ateu
Sou o que o mundo não fez
Nem burguês
Nem esteta
Sou poeta.



LordHermilioWerther
Enviado por LordHermilioWerther em 08/10/2010
Reeditado em 09/10/2010
Código do texto: T2545391
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