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Sem palavras

 
O primeiro dia foi silencioso...
A palavra não tinha sido inventada...
O padeiro não anunciou a massa fermentada...
A mãe não chamou o filho amoroso...

O tempo estava tenebroso...
Os trabalhadores negavam a empreitada...
A notícia diária não era repassada...
O silêncio era indecoroso...

Os namorados olhavam consternados,
Sem palavras, estavam atrapalhados...
O jesuíta não pronunciou sua oração,

O marasmo foi total, o dia sem ação...
Algo havia de ser inventado e,
Sem a invenção, nada podia ser comunicado...

                                                                         
Para Raul Santos Seixas (28/06/1945-21/08/1989).

Esquema de rimas:
1º quarteto: abba.
2º quarteto: abba.
1º terceto: ccd.
2º terceto: dee.

Rio, 14 de outubro de 2006.

Augusto de Sênior
Enviado por Augusto de Sênior em 14/10/2006
Reeditado em 01/12/2017
Código do texto: T264056
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Augusto de Sênior
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 51 anos
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Augusto de Sênior