QUEM SABE NÃO FOI UM JASMIN

Não farei dos meus versos.

Placa desse mundo caduco,

Embora essa flor ainda resista,

Eu, incrédulo! Retiro-me.

Deixo-a, sim.

Só a flor,

Caberá a ela, tua dor.

Não a mim.

Só a flor.

Ela ficará feito cruz,

Cravada, em vossas caras.

Rasgando esse asfalto burguês,

Que tu, senhor do progresso,

Proclama:

--- Eis a minha obra!

--- Eis o meu concreto!

Nem ver, que uma flor.

Com pétalas que vão aos ventos,

E cores que agride, esse cinza cimento...

Vejam, só!

Uma flor...

Rasga teu feio e bruto concreto.

Rasga tua demência, tua ignorância.

Rasga o efeito do improvável.

Rasga tua moral.

Uma flor.

Não meus versos...

Uma flor!

“quem sabe não foi um jasmim?”

Severino Filho
Enviado por Severino Filho em 23/01/2011
Código do texto: T2746191
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