A GRANDE FARSA.

O amor tem tantas vozes, tantos passos,

tantas teclas, tantas veias,

tantas portas, tantas teias,

tantas armadilhas, tantos laços.

Muitas vezes dá tiro de festim,

faz a gente fingir de morto, e como,

como se tudo fosse uma grande farsa,

um grande sono,

faz a paisagem fingir que estava lá.

O amor faz o que temos de mais sagrado sair sambando,

nos faz meninos como nunca seremos,

nos leva ao céu e inferno na mesma viagem

faz uma grande alegoria tudo que cremos,

e quando de repente a nossa voz vira só pastagem

é que percebemos a ferida na alma sangrando.

O amor é fado, é eco, é fronha, é tombo, é altar

quando teimamos em consertar é que desafina o cantar,

quando tudo fica calmaria, quando toda dor se solta,

assopramos a fuligem que tomou tudo em volta,

e vamos pro bar encher a cara até o tempo bocejar.

O amor vem sem partitura, sem manual do fabricante,

quem conhece seus passos está brincando ou mentindo,

é como se recebesse um estranho em casa toda hora,

é como se arrancasse de Deus o que Ele nem sabia,

e fosse até o fim do infinito só dizer que acaba agora,

e colocasse o sentido de tudo num único instante.

E depois, cansado, com peito moído, falido,

caímos naquela rede que sempre esteve esperando por nós,

e damos o maior grito mesmo estando sem voz,

percebemos que o desejo não tinha mesmo partido,

então nossos tentáculos se irmanam, entram em compulsão,

a pele fica oca, o corpo se desprende dele mesmo bem devagar

para que o nosso sangue possa um novo sangue fecundar.

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Oscar Silbiger
Enviado por Oscar Silbiger em 28/02/2011
Código do texto: T2819316
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