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Simetria

Ela optou por julho.
Ele esperou até agosto.

Ela se foi
catando atenções, até que
escapuliu, serelepe.
No hospital eu e a Dinda
Passávamos vaselina nos seus lábios,
Dizíamos que estava bonitinha.
Ela sorria,
e morria mais um pouco.

Ele partiu como viveu:
sem querer dar trabalho.

Cheguei a vê-la na capela,
mortinha da silva.
Ajeitei a sua gola e
olhei pela janela quando fecharam
o lacre.

Passei aquela noite
ao lado dele.
Por isso sei:
foi a assimetria
que ele não agüentou.
O criado-mudo sem par.

Quando eu voltar em dezembro
vou me deitar no meio da cama.
Pra estudar
esse novo equilíbrio.
Lavínia Saad
Enviado por Lavínia Saad em 01/12/2006
Reeditado em 01/12/2006
Código do texto: T307106

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Sobre a autora
Lavínia Saad
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 42 anos
98 textos (2899 leituras)
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Lavínia Saad