A lua do aparador

Desejo de sol que se amofina

À noite que em si declina

Encosto

Visagem

Em teu lábio sigiloso

Desfia meia verdade

Sempre à meia luz

Teço uma hora vaga

Dispersa

Que arredia e embaraçosa

Insiste na proeza

do fingimento

Prender o tempo

no meio de teu desejo

cristalizado

Onde adormeço

Entre lágrimas cansadas

E soluços desconfiados

Surtados pelas dores que nunca confesso

Estou só em meu pesadelo

desengonçado

Bato pernas

em tempestades de vultos

Prazeres em conflitos avulsos

Nunca acerto em cheio

Estou ao meio

Em história sem começo

O brilho fecunda minha dor

Inacabada

O brilho cega

Minha imagem atravancada

Cadeado enferrujado

que na tentativa do polimento

Ouço e fujo

Penso ser tua voz

Um chamado

Estado deplorável da minha alma mendiga

E esfarrapada

Mudastes os móveis

Mudastes os lugares

Mudastes os sentidos

Sentimentos em cabides

E o sol antigo

rosa perolado

que postei em tua

presença silenciosa

ficou amargo

Um gosto de escuridão

Possuiu-me num repente

Minha palavra

Antes fresca

Agora jaz perturbada

E mofada....

Onde luto

na madrugada

Permanecer despida

Onde nunca

Nem pela escandalosa conduta

Ou pelo céu que a tudo espia

Sou despedida...

Izabella Gamellas
Enviado por Izabella Gamellas em 06/07/2005
Reeditado em 06/07/2005
Código do texto: T31504