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SEM RÉDEAS

SEM RÉDEAS





Tenho pena

De não saber

Onde nasce o meu poema...



Um simples mote

Me fascina

Há um raio qualquer

Que me ilumina

E não consigo apagar!



O meu cavalo

Não conhece o trote...

Sangue puro,

Força nobre e bruta,

Transporta na garupa

Um vendaval de ideias

A galope...



Onde começa a estrada

Que me percorre as veias?



Cavalgo sempre sem freio

Sem rede,

Sem rédeas,

Dilatam-se as narinas

No torpel do pensamento

Crispam-se as rugas...

São impossíveis as fugas...



Não há médias

No acto louco de escrever

Solta-se o navio

A todo o pano

Não me chega o rio

Não me basta o mar

Se existe o oceano

Só lá vou navegar!



Será legítimo perguntar

Onde nasce o meu poema?

Onde morre o que escrevo

Nos meus versos?



Não sejam perversos...



Será útil

Saber se nos enganam

Ou nos enganamos?



Não faço planos

Serei o que tiver de ser

Nem melhor, nem pior...

Quero lá saber dos anos

Que não sinto...

Dos tempos que não viver...



Pena tenho

Dos quadros que não pinto

Das canções que não canto

Dos palcos que não piso

Do amor que não há

Quando preciso

E ás vezes preciso tanto...



Quantas vezes as lágrimas

Afagam o meu espanto

E não me sinto melhor?



Quantas vezes eu

Sou só suor

E não me canso...

De viver!
ressoa
Enviado por ressoa em 13/07/2005
Código do texto: T33695

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Sobre o autor
ressoa
Portugal, 72 anos
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ressoa