PALAVRAS

De palavras em palavras,

Vou morrendo a cada linha.

Impregnado de tédio e do nada,

Pari uma cidade!

Mas não pari o poeta.

__ há certas obras incompreensíveis!

De palavras em palavras...

Construiu-se o homem,

Libertaram-se os deuses

E teve o verbo,

Como quem tem há carne:

Sangue!

De palavras em palavras

Vou morrendo a cada linha.

E serão palavras soltas que te alcançarão,

Não meus olhos, minhas mãos, minhas pernas,

Não!

Há em meu corpo palavras de perdas,

E uma agonia por faltarem palavras de fé.

Ascendi a palavras de homens universais,

Tornei-me mas, minha cidade.

Oh, palavras que não sei onde busco?

Dizei-me teu nome!

Como guiar o verbo?

E não deixar as palavras no abandono!

De palavras em palavras não se faz poema,

Nem poetas...

Criam-se homens!

De palavras em palavras,

Vou morrendo a cada linha!

Severino Filho
Enviado por Severino Filho em 25/12/2011
Código do texto: T3405751
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